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Pedagogia de Janeiro 2016
27 de dezembro de 2015

Vimos a sua luz e caminhamos nos seus caminhos! 

 A pedagogia litúrgica, no decorrer do mês de janeiro, divide-se em dois momentos. No primeiro, a conclusão do Tempo Natalino, que acontece com a celebração da festa do Batismo de Jesus. No segundo, inicia-se a primeira parte do Tempo Comum que, neste Ano Litúrgico, constará de apenas cinco Domingos.

 

Tempo Natalino

 Dentro do contexto Natalino, a primeira celebração de janeiro acontece no início do ano civil de 2016, com a celebração de Maria, Mãe de Deus. Uma celebração que professa a fé da Igreja na maternidade divina de Maria. Celebra também, em Maria, a contribuição da humanidade em favor da encarnação. Na prática, trata-se de uma celebração natalina que manifesta a misericórdia divina, agindo em favor da humanidade e, por isso e para isso, o caminho da encarnação. Maria torna-se assim modelo da humanidade acolhedora do Verbo feito carne.

Ainda no contexto do Tempo Natalino, a Liturgia ajuda os celebrantes a ir ao encontro do Senhor a exemplo dos Reis Magos, na Epifania; a manifestação de Deus em Jesus Cristo. Como os Reis Magos, a Igreja se coloca a caminho para buscar o Rei que acaba de nascer. Com esta finalidade de peregrinação, neste ano, estamos propondo refletir a Epifania a partir da Teologia Paulina, presente na 2ª leitura, para compreender e para participar do Mistério divino, manifestado na pessoa do Menino Jesus, como a luz que veio ao mundo para iluminar a vida humana e social.

Por fim, a terceira celebração do Tempo Natalino, e aquela que conclui o Tempo Natalino, o Batismo do Senhor. Nesta celebração João Batista anuncia a promessa de Jesus batizará que se fizer discípulo e discípula dele no Espírito Santo. Não mais viver guiado pelo espírito do mundo, mas pelo Espírito Santo de Deus. É neste sentido que Jesus se torna a referência existencial de cada celebrante e de toda a sociedade. Em Jesus, no Evangelho que ele prega e propõe, existe um modelo de vida a ser vivenciado e uma estrada que conduz à realização pessoal, iniciada no Batismo. Pelo Batismo, além do mais, cada cristão se compromete a favor do projeto divino; para que o projeto divino aconteça nele e na sociedade.

  

Tempo Comum

 Como dito, uma vez concluído o Tempo Natalino, que conduz os celebrantes a se comprometerem com o projeto divino, o Tempo Comum tem a finalidade de aprofundar cada celebrante no caminho do discipulado. Um caminho feito passo a passo, em cada momento da vida e em todos os momentos existenciais. Isto tem início com um conselho e uma orientação da Mãe de Jesus “Fazei tudo o que ele vos disser” (2DTC-C).

            O símbolo do casamento, presente no 2º Domingo do Tempo Comum, é um dos símbolos mais expressivos da Bíblia para indicar o relacionamento amoroso de Deus com a humanidade. Deus tanto ama a humanidade que a desposa, que a toma como esposa para derramar nela todo seu amor. Por isso, como membros da humanidade amada por Deus, somos convidados a celebrar e saborear o vinho novo oferecido por Jesus, com sabor de vida plena e de muita alegria interior. Isto acontece com que se coloca no caminho do discipulado e faz do Evangelho a luz da sua vida.

            O início das atividades de Jesus como evangelizador e como Mestre de vida, acontece com uma mensagem programática, da parte de Jesus: "Para proclamar um ano da graça do Senhor" (3DTC-C). Uma frase programática que nos remete diretamente ao Ano Jubilar que estamos vivendo agora, com o Ano Santo da Misericórdia. Por isso, considerando este Ano Santo da Misericórdia que estamos vivendo e celebrando, sugerimos para o 3º Domingo do Tempo Comum – C um contexto próprio de reflexão sobre o sentido e a finalidade de um tempo especial dedicado à Misericórdia, enfatizando a libertação e o perdão em vista da vida digna; da vida vivida na liberdade de Deus.

            Este projeto divino, na vida pessoal, que tem início no Batismo, passa pela recomendação da Mãe para fazer o que Jesus pede, ingressando assim no discipulado passa, no 4º Domingo do Tempo Comum – C, pela experiência do chamado vocacional. Inicialmente, o chamado a ser profeta, testemunhando a caridade. A vocação do profeta Jeremias e a narrativa do episódio de Jesus, na conclusão do Evangelho deste Domingo, destacam o destino dos profetas, mas destacam também o poder divino, capaz de transformar tudo, até mesmo o deserto, em caminho de Salvação. 

 

Conclusão

 O caminho pedagógico litúrgico deste mês, portanto, tem um itinerário bem claro: o início de tudo acontece pela Encarnação do Verbo, no seio da Virgem Maria. Depois, Jesus é apresentado aos povos do mundo, na Epifania e, como que ratifica sua missão na terra através do Batismo. Seu seguimento, pelo discipulado, é simbolizado numa festa nupcial, de quem faz aliança com Deus, para que o projeto divino aconteça na terra. Para isto se realizar, a Liturgia conduz os celebrantes a ingressarem no caminho do discipulado, acolhendo o chamado vocacional, que se destina a todos os homens e mulheres em todos os povos da terra.

(Serginho Valle)

 

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