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Pedagogia de maio 2016
30 de abril de 2016

 Vinde, Espírito Santo, e concedei-nos o dom da paz! 

       Maio, mês carinhosamente dedicado a Nossa Senhora, inicia as celebrações do Tempo Pascal com um convite para que os celebrantes se empenhem em favor da construção da paz. Esta paz, diferente daquela oferecida pelo mundo, porque tem sua fonte na Ressurreição de Jesus e sua grande inspiração no amor divino, vivido na Trindade Santa.
      Um mês para conduzir os celebrantes a refletirem a misericórdia a partir da partilha do pão (Corpus Christi) e da unidade de todos os homens e mulheres de boa vontade que sinceramente buscam o rosto divino.
 
 
O Dom da paz
Eu vos dou a paz! É com este presente, o grande dom da paz doado pelo próprio Jesus, que a Liturgia introduz seus celebrantes no mês de maio, na celebração do 6º Domingo da Páscoa. O dom da paz é o grande desejo de todos os homens e mulheres de boa vontade, porque somente a paz e convivendo na paz e com a paz podemos nos tornar uma humanidade fraterna, solidária e misericordiosa.
Pelo dom da paz, a Ressurreição de Jesus tem o poder de transformar a sociedade, iluminando-a com a luz da glória divina e congregando todos os povos e todas as nações na Jerusalém do alto, a Igreja. Uma Igreja que recebe de Jesus a missão de semear e cultivar a paz, permanecendo firme na Palavra do Senhor. Uma Igreja que invoca constantemente o dom do Paráclito, o consolador, o fortalecedor para que a violência não domine a terra e não destrua, pela morte, a humanidade.
      O dom da paz, podemos dizer, é o fruto e o conteúdo da grande missão evangelizadora que a Igreja recebeu no dia da Ascensão, do próprio Jesus. Por isso, entendemos que a Ascensão não é um Mistério da Salvação que se remete unicamente a Jesus, mas a cada pessoa que se torna discípulo e discípula do Evangelho. Porque Jesus subiu aos céus, todos somos destinados a promover a vida cultivando o dom da paz. O destino final desta vivência fraterna na paz é viver no céu e fazer o mesmo caminho até a Pátria definitiva, testemunhando o Evangelho em todas as partes da terra. Um testemunho para levar a alegria de quem acredita e sente a presença de Jesus Cristo vivo entre nós.
            Como conseguiremos isso? Não com nossa sabedoria e nem com nossas simples intuições, mas com a presença iluminada e iluminadora do Espírito Santo conduzindo a Igreja. Por isso, concluindo o Tempo Pascal, na celebração de Pentecostes, nós invocamos a vinda do Espírito Santo de Deus: Vinde, Espírito Santo e renovai a face da terra! Invocamos o Espírito Santo de Deus que é apresentado como o hermeneuta, aquele que ajuda a compreender as Escrituras em vista do projeto divino. A vinda do Espírito Santo não tem a finalidade de instrumentalizar Deus com milagres ou com dons especiais, para atrair pessoas para uma Igreja específica. A finalidade da vinda do Espírito Santo é aquela de conduzir a Igreja e seus membros a viver em Deus, testemunhando o Evangelho através de relacionamentos fraternos, misericordiosos e solidários, cujo fruto mais saboroso é a paz.
 
 
Trindade e Corpus Christi
Depois de concluir o Tempo Pascal, retomamos a 2ª parte do Tempo Comum, a partir da 8ª semana. Antes de celebrar os Domingos do Tempo Comum, no Domingo seguinte ao de Pentecostes a Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade.
A Liturgia da Solenidade da Santíssima Trindade, neste ano, convida-nos a considerar a criação, não com dados científicos, mas com os olhos de um contemplativo. Nas obras da criação encontra-se a sabedoria divina, ainda hoje, brincando entre nós e desafiando nossa admiração. Além disso, em pleno curso do Ano Santo da Misericórdia, nada mais justo que refletir, celebrar e dar graças a Deus pela misericórdia divina, na solenidade da Santíssima Trindade deste ano de 2016. Uma celebração para agradecer o infinito e misericordioso amor divino para conosco, concedendo-nos a graça de sermos filhos e filhas do Pai eterno.
      Também a celebração de Corpus Christi, que acontece na quinta-feira seguinte ao Domingo da Solenidade da Santíssima Trindade é especialmente contextualizada no Ano Santo da Misericórdia, graças à Palavra que lhe é proposta neste Ano C.
A celebração de Corpus Christi, neste Ano C, propõe o Evangelho da multiplicação dos pães. Toda a Liturgia da Palavra ilumina-se no simbolismo do pão, fruto do trabalho humano, símbolo da vida humana usado por Deus e por Jesus Cristo para alimentar-nos com a vida divina. Diante de um povo carente de pão, Jesus pede que seus discípulos tragam o que tem, pois ele multiplicará os pães para ensinar como produzir o milagre da partilha. Milagre que também produz ação de graças com o Pão e o Vinho, Corpo e Sangue do Senhor Jesus Cristo.
           
 
Domingos do Tempo Comum
      Os Domingos do Tempo Comum, depois das grandes celebrações pascais, recomeçam com a celebração do 9DTC-C, que faz memória especial aos celebrantes, em tempo do Ano Santo da Misericórdia: acolher o outro é um gesto divino. Por isso, o reinício do Tempo Comum, a partir do 9º Domingo, convida os celebrantes ao não fechamento em grupinhos ou em particularismos religiosos. Deus é Senhor de todos os povos e está acima de todas as religiões. Como cristãos, respeitamos todos aqueles que buscam a Deus de modo sincero e com eles caminhamos para construir uma humanidade mais fraterna e mais solidariamente misericordiosa.  
 
 
Conclusão
      As celebrações litúrgicas de Maio, especialmente as últimas celebrações, inserem-se muito fortemente no contexto do Ano Santo da Misericórdia. A misericórdia é celebrada neste mês como exercício da promoção da paz, através da solidariedade, da partilha do pão e da convivência respeitosa com todas as religiões.
Serginho Valle
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