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Pedagogia de Janeiro 2022
27 de dezembro de 2021

Pedagogia litúrgica – janeiro 2022

 
A pedagogia litúrgica de janeiro 2022 será iluminada com a luz da “vida cristã”. Faremos a reflexão considerando dois aspectos da vida cristã: o que é a vida cristã e como se vive a vida cristã. Nas celebrações natalinas, vamos considerar três elementos constitutivos da vida cristã: a meditação silenciosa (Mãe de Deus), a busca da luz divina (Epifania) e o sopro espiritual pulsando na vida pessoal (Batismo de Jesus).
 
Nas três primeiras celebrações do Tempo Comum, a consideração cairá sobre o como viver a vida cristã: fazendo o que Jesus pede (2DTC-C), vivendo em comunidade (3DTC-C) e vivendo o Evangelho como testemunho profético (4DTC-C).
 
O que é a vida cristã
No contexto do processo mistagógico, entende-se que as celebrações propõem aspectos e não tratados sobre um determinado tema. Os aprofundamentos acontecem em outros locais, como cursos, livros, debates, palestras. Além do mais, a finalidade mistagógica consiste em, pedagogicamente, acender luzes, como gosto de dizer, capazes de iluminar aspectos da fé na vida pessoal e na vida da comunidade. Nas celebrações de janeiro 2022 a luz chama-se “vida cristã”, considerada como estilo de vida de quem está em busca de Deus. Os cristãos, com sua vida cristã, são buscadores de Deus: “é vossa face, Senhor, que eu procuro, não escondais de mim o vosso rosto” (Sl 27,8)
 
A vida cristã busca Deus no silêncio da meditação
A primeira celebração de janeiro celebra o Mistério Pascal de Jesus Cristo contemplando Santa Maria, Mãe de Deus. Solenidade que encerra a Oitava do Natal. No contexto mistagógico liúrgico que as propsotas celebrativas do SAL – Serviço de Animação Litúrgica – propõe para este mês de janeiro, Maria é apresentada como a primeira cristã e modelo mais perfeito de quem viveu a vida cristã.
 
Existem vários aspectos na espiritualidade mariana exemplares para a vida cristã. Um modo de definir a vida cristã é a busca de Deus pela contemplação e meditação silenciosa do Evangelho. A vida cristã é uma busca de Deus e a meditação silenciosa é um caminho eficaz. No presépio, Maria busca Deus e silencia diante do Evangelho vivo, que é seu próprio Filho. Ali medita o Evangelho de Jesus sem ter ouvido sequer uma palavra de Jesus. O que ouviu foram as maravilhas divinas narradas pelos pastores.
 
Um modo cristão de iniciar a busca de Deus, na vida cristã, encontra-se no silêncio meditativo do coração. A celebração deste início de ano, apresenta Maria como modelo de discípula que silenciosamente acolhe o Evangelho e enche seu coração com a paz divina pela meditação. A vida cristã não cria ansiedade na busca de Deus, mas o deseja com ardor (Sl 119,10), o deseja com o coração repleto de paz, fruto da meditação silenciosa como na vida da Mãe de Jesus.
 
 
A vida cristã é vida buscadora da luz divina
O conceito de vida cristã como buscadora de Deus pela meditação silenciosa é indicativo de passividade. Sim, a vida cristã cresce na passividade da meditação, no descanso meditativo de noites silenciosas em oração, como fazia o Mestre (Lc 6,12), a vida cristã cresce na adoração silenciosa diante do Santíssimo Sacrmento. Passividade necessária de quem é caminheiro, como Jesus, que não estacionava sua espiritualidade na meditação pela meditação, mas no caminho e no caminhar. Por isso, entende-se que espiritualidade da vida cristã se caracteriza como peregrina em busca da luz. O exemplo, na pedagogia litúrgica, encontra-se nos Reis Magos, na Solenidade da Epifania.
 
Uma característica muito natural da vida cristã, do ponto de vista espiritual, é peregrinar como buscadora da luz. Na Liturgia da Solenidade da Mãe de Deus, o chamado silencioso é fruto da meditação, do discípulo que ouve a voz divina no seu coração. Na Epifania, o cristão é aquele que vê a luz divina e se coloca a sua procura; toma atitude. Levanta-se para caminhar como peregrino em busca de Deus.
 
A luz divina não brilha, apenas, para um determinado grupo de pessoas, mas para todos os povos (1L e SR da Epifania). É uma luz que atrai, que é visível, mas somente aqueles que se colocam a caminho a encontram. Quem estaciona sua vida em seus conhecimentos e em suas dúvidas, como os teólogos de Herodes, não encontram a luz divina porque não reagem como peregrinos; ficam estacionados em suas convicções e em suas espiritualidades teóricas. Os Reis Magos fazem a experiência da peregrinação e seus corações, diz o Evangelho, ficaram alegres. A mesma experiência acontece com os pastores que se colocaram a caminho para ir ao encontro de Jesus: admiração, espanto, alegria de entrar no presépio, a primeira meta de peregrinação da vida cristã.
 
A vida cristã é um modo de viver peregrinando como buscador de Deus, como peregrino que caminha ao encontro de Deus. Não é uma vida estacionada em doutrina e nem mesmo em rezas e, muito menos em tradicionalismos; é vida de paz inquieta como é próprio de quem deseja encontrar a face divina.
 
Batismo de Jesus
Por fim, na última celebração natalina — Batismo de Jesus — nossa proposta celebrativa apresenta o início da peregrinação em busca de Deus. O Batismo de Jesus conta com uma celebração reveladora, seja no fato de João Batista apresentar Jesus como o Messias esperado, seja no fato de Jesus revelar quem é o homem no Mistério divino.
 
O cristão alimenta sua vida cristã no silêncio da meditação (Liturgia da Mãe de Deus), torna-se peregrino do rosto divino (Liturgia da Epifania) e encontra a identidade da sua vida cristã na Liturgia do Batismo de Jesus com uma definição fantástica do que é a vida cristã: é o acolhimento do Espírito de Deus na vida pessoal. O cristão portanto é aquele que medita guiado pela sabedoria divina, peregrina conduzido pelo Espírito Santo e, o cristão é o santuário do Espírito Santo (1Cor 6,19). A espiritualidade da vida cristã diviniza o homem e a mulher, torna-o santificado pois nele habita o Espírito de Deus.
 
Quem assume a vida cristã é batizado, é mergulhado no Espírito Santo e por isso, vive respirando o “respiro de Deus” (2L do Batismo de Jesus). A vida cristã não respira do “ar do mundo”, mas o “ar divino”, a vida cristã não ilumina o cristão e a cristã com as luzes do mundo, mas com a luz divina que o coloca na “estrada de Jesus”, no caminho do Evangelho, tornando-o discípulo e discípula de Jesus.
 
 
Resumo da primeira parte
O conteúdo mistagógico da primeira parte, formado pelas celebrações do Tempo de Natal, descreve a vida cristã com três características da espiritualidade evangélica: é uma vida que se alimenta com a meditação silenciosa (Mãe de Deus), é uma vida caracterizada como peregrina e buscadora da face divina (Epifania) e é uma vida que respira o Espírito Santo de Deus (Batismo de Jesus).
 
Agora, vamos para a segunda parte desta pedagogia litúrgica considerando três aspectos práticos de como se vive a vida cristã: vivida em obediência ao Evangelho, vivida em comunidade e vivida como profeta testemunhando o Evangelho. Vida obediente, comunitária e profética.
 
A vida cristã é obediente (2DTC-C)
A vida cristã é vivida na obediência do Evangelho, fazendo tudo que Jesus pede para fazer (2DTC-C). Dizendo de outro modo: para se viver a vida cristã existe uma condição básica: fazer o que Jesus manda. Estamos situados no 2DTC-C, com o Evangelho das Bodas de Caná. Nossa proposta celebrativa do SAL – Serviço de Animação Litúrgica – conduz os celebrantes a compreender que quem faz o que Jesus manda bebe o “vinho novo”, quer dizer, bebe o Evangelho e transforma a vida em festa, convivendo com Jesus.
 
Jesus não muda as talhas usadas para a purificação, mas o conteúdo das talhas de pedra. A vida cristã inicia-se a partir do interior, do conteúdo do coração, e para isso é preciso levar a vida que levamos dentro de nós. A mudança só pode acontecer porque os serventes das Bodas de Caná fizeram o que pediu Nossa Senhora: “façam tudo que ele vos disser” (E – 2DTC-C). Como vivemos a vida cristã? Sendo obediente ao Evangelho, fazendo tudo que diz o Senhor.
 
Vida comunitária (3DTC-C)
O segundo modo de viver a vida cristã é vivendo em comunidade. Vida cristã jamais se caracteriza pela individualidade. A espiritualidade cristã nunca cresce isolada, com propostas de controle de mente, por exemplo, mas sempre em comunidade, em relacionamento fraterno. É vida comunitária e é espiritualidade comunitária; vida eclesial.
 
A compreensão é possível quando se considera a fonte comunitária da vida cristã: a Palavra de Deus. A vida cristã se organiza ao redor da Palavra. Dela aprende e por ela orienta sua vida. A Palavra de Deus é a luz formadora da comunidade. Todos os Domingos, a comunidade eclesial que vive na paróquia ou numa capela, por exemplo, se reúne em assembleia litúrgica para ouvir a Palavra e partilhar o pão. Ouve a Palavra comunitariamente, o que torna cada celebrante evangelizado,
 
A vida cristã é profética (4DTC-C)
O terceiro modo de viver a vida cristã, praticamente uma consequência dos dois modos propostos anteriormente, é a atividade profética presente na vida cristã. Dizia que se trata de algo consequencial porque quem vive fazendo o Jesus pede (2DTC-C), quem faz a hermenêutica do Evangelho dentro da própria comunidade (3DTC-C) este torna-se profeta, vive a vida cristã como profeta, como testemunho do Evangelho, pregando o Evangelho com sua existência dentro da comunidade (4DTC-C).
 
É preciso dizer que o testemunho do profeta, de quem vive a vida cristã como profeta, nunca foi simples e fácil no decorrer de toda a história. Sempre exigiu coragem e, todos os profetas intercederam a coragem divina (1L do 4DTC-C). A proposta celebrativa do SAL para o 4DTC-C chama atenção para essa peculiaridade da vida cristã, alertada pelo próprio Jesus: a convivência com o conflito e com perseguições (Mc 10,30).
 
Paulo (2L – 4DTC-C) diz que o modo superior de viver o profetismo na vida cristã é pela caridade. Não um profetismo de pregação, mas profetismo ativo, no qual o Evangelho não é explicado com palavras, mas colocado em prática e compreendido pela caridade fraterna. O profetismo e a mensagem divina encontram-se no modo de viver a vida cristã pela caridade fraterna. O profeta de nossos tempos não se distingue nem pela glossolalia e nem pela taumaturgia (2L – 4DTC-C), mas pela caridade fraterna.
 
 
Conclusão
Uma pedagogia litúrgica bem longa devido ao tema e a seis celebrações do mês de janeiro 2022. Um tamanho que favorece o aprofundamento da iluminação mistagógica que nós do SAL fazemos nas propostas celebrativas de janeiro 2022.
 
Em tempo de refletir sobre a Igreja Sinodal, a iluminação da vida cristã é essencial para compreender que somos uma Igreja peregrina conduzida pelo Espírito Santo de Deus, buscando sempre o rosto de Deus, especialmente no profetismo do Evangelho vivo realizado na caridade fraterna, que é o que mais caracteriza a vida cristã.
Serginho Valle
Dezembro 2021
 
 
 
 
 
 
 
 
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