Tempo Pascal - C
01 de Maio de 2025

ADORAÇÃO E MISSÃO EVANGELIZADORA
No Tempo Pascal, somos chamados a uma profunda reflexão sobre o Mistério da Ressurreição e como este Mistério impacta nossa fé, a Igreja e a sociedade onde convivemos. Este período do Ano Litúrgico, iniciado no Domingo da Páscoa e que se estende até a Solenidade de Pentecostes, conduz a Igreja a aprofundar temas da vida cristã, presentes nas propostas celebrativas do SAL, como a adoração, a missão evangelizadora, a presença de Cristo ressuscitado entre nós, o destino de viver eternamente na glória divina e a vivência do Mandamento Novo.
A adoração a Cristo Ressuscitado
A adoração é uma resposta natural à presença de Jesus Cristo entre nós. No 2º Domingo da Páscoa, vemos essa naturalidade na reação dos discípulos ao encontrarem o Cristo Ressuscitado. A fé e a adoração se entrelaçam de maneira profunda, especialmente no diálogo entre Jesus e Tomé e na sua profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!” (E do 2DTP-C); o comportamento de Tomé não expressa apenas a constatação da ressurreição, é também um ato de adoração. Cristo é reconhecido como o Senhor da vida, aquele que venceu a morte e oferece a misericórdia divina a seus discípulos e discípulas (SR - 2DTP-C). A adoração que brota da fé é, portanto, uma resposta de reconhecimento da divindade e da ação salvadora de Jesus Cristo ressuscitado.
As celebrações do Tempo Pascal dizem que a adoração a Cristo ressuscitado não é limitada apenas a um momento Litúrgico; se estende e toca concretamente a vida cotidiana. Ao reconhecermos Jesus Cristo como “o Senhor”, somos direcionados a adorá-lo não apenas com palavras, mas com atitudes, gestos e escolhas. A presença de Jesus Cristo ressuscitado em nosso meio — “ele está no meio de nós — nos chama a viver em intimidade com ele, o que nos compromete a ser testemunhas de sua ressurreição no mundo. O encontro com Jesus em “nossas praias”, nas quais ele, como ressuscitado, vem para participar de nossas vidas (E -3DTP-C), indica uma consequência da adoração: partilhar a vida fazendo refeição com Jesus (Eucaristia) e com os irmãos e irmãs através da fraternidade e relacionando-se com o Mandamento Novo (E – 5DTP-C).
A missão da Igreja: testemunho e proclamação do ressuscitado
A missão da Igreja é uma consequência direta da adoração. Quando adoramos Jesus Cristo, somos também enviados a anunciá-lo na sociedade onde vivemos. A missão evangelizadora da Igreja, desde o 2DTP-C até Pentecostes, é claramente delineada na Palavra proclamada, relatando a expansão da fé e a mensagem da Boa Nova da ressurreição. A Igreja, por ser comunidade de discípulos e discípulas adoradores, é enviada ao mundo para ser luz e testemunha da ressurreição de Jesus Cristo como é celebrado de modo plausível na Solenidade da Ascensão de Jesus.
A Ascensão de Jesus, celebrada no 40º dia após a Páscoa, marca o momento em que Jesus Cristo envia Seus discípulos e discípulas em missão evangelizadora. O Evangelho de Lucas, proclamado no Ano C, recorda o grande envio: “vós sereis testemunhas de tudo isso.” A missão, portanto, não é uma opção da Igreja, é uma resposta à presença de Jesus Cristo enviando sua Igreja para continuar a a obra evangelizadora iniciada por ele.
Quem conduz a obra evangelizador da Igreja é o Espírito Santo, o grande animador da missão da Igreja. Em Pentecostes, a Igreja é capacitada a cumprir sua missão, como vemos em Atos dos Apóstolos (1L - Pentecostes). É o mesmo Espírito Santo que abriu as portas da Igreja Apostólica, derramando nela a virtude da coragem e da sabedoria para levar o Evangelho que, ainda hoje, continua a abrir as portas da Igreja para que se torne “Igreja em saída”, movimento típico da missão evangelizadora. A missão da Igreja é inseparável da ação do Espírito Santo, que a impulsiona a ser testemunha do Cristo ressuscitado em todas as partes do mundo.
A presença de Cristo no meio de nós
A presença de Jesus Cristo no meio da Igreja é outro tema a ser considerado durante o Tempo Pascal. Cristo ressuscitado está presente de maneira contínua, especialmente na Eucaristia, na Palavra e na comunidade que vive o Mandamento Novo (E - 5DTP). A presença de Jesus Cristo na Igreja é uma realidade que se prolonga até nossos dias. Como vimos no 3º Domingo da Páscoa, no episódio de Jesus esperando seus discípulos com uma refeição pronta (E – 3DTP-C), sua presença se revela especialmente na Palavra que ensina onde jogar a rede do Evangelho e no partir do pão, na Eucaristia e, fraternalmente (5DTP-C).
Outro modo da presença de Jesus Cristo é na comunidade que vive o Mandamento Novo (E - 5DTP-C) e é conduzida pelo Bom Pastor (E – 4FTP-C). A Igreja é o rebanho do Bom Pastor, é o local onde a Oração Sacerdotal de Jesus torna-se a realidade da sua presença, continuamente intercedendo o “sint unum” (E – 6DTP-C), que se manifesta em nossas relações, em nossa solidariedade através do acolhimento fraterno. A adoração a Cristo ressuscitado, neste sentido, se expressa em nosso cuidado com quem convivemos, especialmente os mais necessitados, e no testemunho de nossa fé através de gestos de solidariedade e compaixão. A adoração é, portanto, é uma necessidade para se viver o Mandamento do Amor, pois não podemos adorar (gesto de amar a Deus) a Deus sem amar nossos irmãos (1Jo 4,20).
O Espírito Santo: fonte de adoração e missão
Pentecostes é o grande desfecho do Tempo Pascal, quando o Espírito Santo desce sobre os discípulos e discípulas de Jesus, transformando-os em missionários evangelizadores. O Espírito Santo é o grande animador da vida da Igreja, tanto na adoração como na missão. Ele ensina a adorar, capacita a viver a fé com profundidade e envia em missão. Sem o Espírito Santo, não há verdadeira adoração, pois é ele quem conduz a Jesus Cristo e nos torna capazes de reconhecer sua presença em nossas vidas.
A presença do Espírito Santo é essencial para a missão da Igreja. É o Espírito Santo que encoraja a Igreja a continuadamente anunciar o Evangelho, a ser testemunha do Cristo ressuscitado e levar a Boa Nova a todos os povos em todos os cantos da terra. A Igreja, enquanto Corpo de Cristo, é chamada a viver em adoração ao Pai, com a força do Espírito, e proclamar o Evangelho da vida nova, cuja fonte é a ressurreição de Jesus.
Conclusão
A adoração e a missão são os dois pilares que a Liturgia propõe aos celebrantes, em modo mistagógico, no Tempo Pascal. São temas indissociáveis, que nos chamam a uma vida de fé profunda e de entrega ao serviço do Reino de Deus. A adoração nos coloca em sintonia com a presença de Cristo e nos impulsiona a viver, em modo de continuidade, a mesma missão evangelizadora iniciada por Jesus Cristo.
Serginho Valle
Março de 2025