Pedagogia do mês de NOVEMEBRO 2025
01 de Novembro de 2025
ESPERANÇA ESCATOLÓGICA
Ao longo das últimas semanas do Ano Litúrgico, a Igreja convida os celebrantes a fazer uma caminhada espiritual, propondo a Palavra de cada celebração como fio que vai costurando a vida pessoal e comunitária com as linhas da fé, da esperança e da vigilância.
Na pedagogia mistagógica das celebrações dominicais de novembro de 2025, este itinerário começa colocando os celebrantes diante da realidade da morte (Finados), passa pela consciência de que somos templos vivos (Dedicação da Basílica de São João do Latrão), recorda a fragilidade do mundo (33DTC-C), contempla a realeza de Cristo no trono da Cruz (Cristo Rei) e, finalmente, abre espaço para a espera ativa, em modo de vigilância, no início do Advento (1DTA-A). Não é um caminho de ideias abstratas, mas um percurso concreto, a ser vivenciado na vida pessoal, na história do nosso tempo e na vida da comunidade.
A realidade da morte e o templo vivo
Os dois primeiros Domingos de novembro de 2025 são celebrações comemorativas que têm a finalidade de convidar os celebrantes a considerar a realidade da morte (Finados) e a construção da igreja, na Festa Litúrgica da Dedicação da Basílica de São João do Latrão (DBL), como sinal da Igreja formada por “pedras vivas” (1Pd 2,5).
A Comemoração dos Fiéis Defuntos (Finados) leva a encarar de frente a realidade da morte humana. No contexto litúrgico, não apresenta a morte como ponto final ou ameaça assustadora, mas como passagem: a páscoa pessoal que conduz à vida eterna. A Liturgia da Missa dos Finados, que na proposta celebrativa do SAL é a “Missa I”, convida os celebrantes a meditar sobre a finitude humana: a certeza de que um dia tudo termina. Ao mesmo tempo, conduz à reflexão sobre a ressurreição da carne e a fé na vida eterna.
Outra dimensão da Missa da Comemoração dos Fiéis Defuntos é a solidariedade para com os falecidos, manifestada em forma de oração. É bom rezar por aqueles que partiram, intercedendo para que descansem em paz e sejam perdoados de suas faltas, a fim de participarem da vida divina, como prometido por Jesus (E – Finados).
Em 2025, a Liturgia celebra no Domingo a Festa da Dedicação da Basílica de São João do Latrão. É uma Festa Litúrgica que, à primeira vista, pode parecer distante da nossa realidade, mas possui um contexto pedagógico que favorece a reflexão sobre o respeito e a dignidade dos locais de culto — igrejas e capelas. Ao mesmo tempo, recorda que a verdadeira “construção de Deus” (2L – DBL) é formada por pedras vivas (1Pd 2,5).
No Evangelho da Dedicação da Basílica de Latrão, Jesus manda destruir o Templo de pedras, pois o verdadeiro Templo é o próprio Cristo. Agora, o Templo é o seu Corpo Ressuscitado. Não se trata, portanto, de festejar uma construção, mas de compreender o sentido da edificação da igreja como sinal da Igreja viva, além de recordar a dignidade e o respeito devidos aos locais de celebração.
Esperança escatológica
O tema da esperança escatológica, que mistagogicamente ilumina as últimas celebrações do Ano Litúrgico e os dois primeiros Domingos do Advento, aparece a partir do 33º Domingo do Tempo Comum - C.
Este Domingo chama a atenção para a realidade passageira de todas as coisas: tudo passa. O mundo, os bens e até as nossas certezas humanas se desfazem com o tempo. Diante dessa realidade, facilmente comprovada por cada um de nós, Jesus convida ao cultivo da esperança escatológica: esperança em Deus diante do fim dos tempos.
A esperança escatológica não vê o fim de todas as coisas como tragédia, mas como transição natural desta vida para viver em Deus, na vida eterna. A esperança, unida à fidelidade, mantém o discípulo e a discípula de pé, vigilantes, para não cair e nem colocar suas seguranças em ilusões. A pedagogia mistagógica do 33DTC-C chama os celebrantes a viver o presente com responsabilidade, sem ceder à ansiedade ou ao temor que roubam a paz. Nisto consiste a esperança.
A Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, aprofunda o tema da esperança escatológica ao apresentar a Cruz como o trono de Cristo. Na Cruz contempla-se a grandeza do amor que salva. Reconhece-se que sua realeza não oprime, mas reconcilia com Deus, condição para participar da vida divina. O fundamento da esperança escatológica não é mérito humano, mas dom divino, recebido graças ao amor derramado do trono real de Cristo: a Cruz.
Ano Novo Litúrgico — Ano A
O Ano Litúrgico inicia-se no 1º Domingo do Advento e retoma o mesmo tema mistagógico do 33DTC-C: a vigilância. De modo insistente, a Liturgia convida os celebrantes a não viver de qualquer modo, mas a viver vigilantes, atentos, em sintonia com o Evangelho.
A 1ª leitura do 1DTA-A, uma bela profecia de Isaías, fala de peregrinação. É uma imagem inspiradora para compreender o sentido da vigilância. Ela se cultiva no caminho da vida, como atitude de quem caminha em peregrinação rumo ao encontro com Deus. O peregrino não se distrai com curiosidades, mas segue vigilante, sem dispersões, até alcançar a meta desejada: o encontro com Deus no final dos tempos.
Conclusão
As celebrações de novembro de 2025 iniciam refletindo sobre a realidade da morte (Fiéis Defuntos), convidam a ser templos vivos (DBL), a reconhecer que tudo passa (33DTC-C), a contemplar Jesus Cristo como Rei no trono da Cruz (Cristo Rei) e a esperar vigilantes o encontro com Ele em sua 2ª vinda (1DTA-A). É um fio que dá sentido à caminhada: sabemos de onde viemos e para onde vamos, vivendo sempre em atitude de vigilância.
Esse é o ciclo litúrgico que conclui o Ano C e inicia o Ano A. Mais que datas, o Ano Litúrgico educa os celebrantes a caminhar na estrada de Jesus. Mostra que a vida é uma peregrinação marcada pela esperança e sustentada pela vigilância. Assim, passo a passo, Domingo após Domingo, os celebrantes são conduzidos ao abraço definitivo com Deus, peregrinando pelos caminhos do mundo, seguindo na estrada de Jesus.
Serginho Valle
Setembro 2025

