A FIDELIDADE de Jesus explica o Tríduo Pascal
01 de Abril de 2026
A FIDELIDADE de Jesus explica o Tríduo Pascal
A pedagogia mistagógica do Tríduo Pascal nas propostas celebrativas do SAL à luz da FIDELIDADE ao projeto divino da vida plena.
A pedagogia mistagógica presente nas celebrações do Tríduo Pascal é iluminada, neste ano de 2026, pela virtude da FIDELIDADE. No contexto celebrativo da Páscoa, a fidelidade é um tema de fácil compreensão considerando que Jesus vive seus últimos dias em total fidelidade ao projeto do Pai, oferecendo sua vida como alimento (Quinta-feira Santa) e, de modo ainda mais radical, oferecendo todo seu ser (Sexta-feira Santa) em FIDELIDADE ao projeto do Pai. A ressurreição, por sua vez, é uma resposta da FIDELIDADE paterna à obediência do Filho diante do projeto divino de fazer com todos os homens e mulheres participem da vida eterna (vida plena) (Vigília Pascal e Domingo da Páscoa).
Colocar a mão no arado e não olhar para trás
Todos reconhecemos a FIDELIDADE divina com seu povo. Deus é apresentado como “fiel em todas as suas promessas” (cf. Sal 145,13; 1 Cor 1,9 — “Deus é fiel”). Deus permanece fiel mesmo quando o povo caminha em caminhos de infidelidade pela desobediência. A experiência de Israel mostra que Deus cumpre sua promessa, se mantém fiel ao projeto selado em aliança com o povo, mesmo diante de infidelidades (cf. Ex 34,6-7). A primeira luz a ser acesa para se compreender a pedagogia mistagógica do SAL, para o Tríduo Pascal deste ano de 2026, consiste em compreender o comportamento Jesus Cristo no decorrer do Tríduo Pascal, à luz da fidelidade ao projeto divino para com o povo em favor da vida plena. Como Jesus se comporta diante das ameaças ao projeto divino?
As decisões de Jesus, contemplados nas celebrações do Tríduo Pascal, são o retrato de um dos seus ensinamento: “ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus” (Lc 9,62). A “aptidão” para participar do projeto divino — o Reino de Deus — consiste na fidelidade de assumir o “arado” (projeto divino) e se manter firme, olhando em frente, independentemente dos desafios e provocações do terreno. Jesus permanece fiel até a morte na Cruz, cumprindo até ao fim a vontade do Pai (Fl 2,8). Se mantém firme; não olha para trás. A pedagogia mistagógica nas propostas celebrativas do SAL considera o ensinamento de Jesus sobre o assumir o arado, assumir o projeto divino de semear a vida plena (Jo 10,10) sem olhar para trás.
Celebrar a fidelidade de Jesus e comprometer-se
A vida de Jesus foi vivida na fidelidade ao projeto divino, afirmando que se alimenta da fidelidade, vivendo na obediência à vontade divina (Jo 4,34). Na vida de Jesus, ser fiel ao projeto divino é a resposta amorosa que ele dá ao Pai diante da promessa do Pai em favor da redenção da vida humana. Na Teologia católica, a fidelidade expressa o amor divino derramado misericordiosamente em favor da humanidade, para que cada homem e cada mulher possam ser divinizados, tenham vida plena (vida eterna).
As celebrações do Tríduo Pascal, na pedagogia mistagógica das propostas celebrativas do SAL, neste ano de 2026, conduz os celebrantes a tomar contato com a finalidade de Jesus Cristo ao projeto divino, para se dispor a viver na mesma fidelidade ao projeto divino em suas vidas pessoais. A participação nas celebrações do Tríduo Pascal, no contexto mistagógico da fidelidade de Jesus torna-se, na vida de cada celebrante, um incentivo ao compromisso de fidelidade ao projeto divino que, não deixa de ser um chamado constante (2Ts 3,3; cf. 1Cor 1,9). Celebrar o Tríduo Pascal iluminando-o com a luz da fidelidade tem a finalidade fortalecer em cada celebrante a fidelidade pessoal ao mesmo projeto divino, na sua qualidade de discípulo e discípula de Jesus.
Autores que refletem a espiritualidade e a mística cristã são unânimes em dizer que a fidelidade é a virtude que permeia toda a vida do discípulo e da discípula de Jesus, considerando a entrega total de sua vida e a perseverança até o fim, a exemplo do Mestre, que pôs sua mão no arado e não olhou para trás.
A fidelidade ao projeto divino, do mesmo modo que a viveu Jesus, entregando sua vida, afasta o cristão e a cristã de tratar a religião de modo utilitarista, para assumi-la em modo de vivência e motivo para viver, especialmente caracterizado pela doação fraterna da vida em favor da vida de irmãos e irmãs. Assim aconteceu com Jesus e assim acontece quando se vive a vida cristã de modo autêntico, isto é, no discipulado.
O que caracteriza a fidelidade na vida cristã
Existem vários temas que ajudam a compreender a fidelidade cristã. O primeiro deles é pelo acolhimento do Reino de Deus que, na pratica, é o projeto divino para a humanidade. O projeto divino do Reino de Deus é onde se encontram os valores, as orientações, as virtudes, os caminhos para a divinização que se traduz com a proposta do “sede perfeitos como o Pai e perfeito” (Mt 5,48), presente na conclusão do “Sermão da Montanha”, no qual Jesus propõe o programa do discipulado e sua finalidade: a divinização, a vida divina (vida eterna) na vida pessoal de cada discípulo e discípula.
A fidelidade cristã começa no acolhimento do Reino de Deus como orientação fundamental do viver humano (Mt 6,33) e irá se manifestar como atuação em forma de compromisso com a justiça, a paz, a caridade… Estes são valores que podem ser contemplados no modo como Jesus viveu sua vida, culminando na sua passagem pela Paixão, Morte e Ressurreição. Viveu em completa fidelidade e em profunda caridade para com a humanidade, propondo que isso seja continuado pelo serviço fraterno, no gesto do lava-pés (Quinta-feira Santa).
Na vida cristã, a fidelidade ao Reino é central no caminho do discipulado em vista da configuração ao Mestre, vivendo em total disponibilidade de serviço fraterno. O discipulado é o modo natural, digamos assim, de viver a fidelidade ao projeto divino na vida cristã. Neste caso, não somente colocando em prática as orientações do Mestre, mas configurando-se a ele, que em tudo se fez obediente até a morte e morte de Cruz (Sexta-feira Santa). No discipulado, fidelidade diz respeito à perseverança em seguir Jesus para com ele configurar-se com todas as exigências derivantes do seguimento. A fidelidade, por exemplo, implica renúncia ao que afasta de Cristo e adesão constante à sua vontade; são as exigências da vocação cristã e a cooperação com a graça, obedecendo com coração sincero, como fez Jesus, em fazer em tudo a vontade de Deus.
Uma terceira característica é a relação entre fidelidade e missionariedade. A fidelidade cristã está intrinsecamente ligada à missão: a fidelidade que permanece em Cristo é também fidelidade ao mandato missionário (Mt 28,19-20). O discípulo fiel não guarda a fé para si, mas a anuncia, testemunha e partilha com alegria, perseverando na esperança e no serviço aos pobres e marginalizados. O episódio de Emaús, proclamado no Evangelho da Missa vespertina do Domingo da Pascoa, representa bem essa dimensão missionaria derivante da fidelidade ao projeto divino presente no Evangelho. Isso demonstra que a fidelidade cristã ao projeto divino não é apenas vertical (relação com Deus), mas também horizontal (relações humanas) e consiste no testemunho de viver com integridade, justiça, lealdade e caridade… tudo isso em espirito de serviço fraterno, colocando em pratica o Mandamento Novo (Quinta-feira santa).
A pastoral e a fidelidade ao projeto divino
A fidelidade ao projeto divino resulta também em atividades pastorais que tem como centro de suas atividades o projeto divino para favorecer, em todas as atividades pastorais, o encontro pessoal com Jesus Cristo, que é o fundamento de toda missão (Mc 1,17). Nestes sentido, as práticas pastorais não primam pela eficácia de gráficos em planilhas que anotam a quantidade de participações, mas pela fidelidade ao projeto divino em favor da vida humana e da vida de toda a criação, e isso não pode ser quantificado.
A fidelidade ao projeto divino, que resulta em atividades pastorais, se manifesta concretamente em forma compromisso de vida em favor de quem vive na comunidade, que se traduz em perseverança, coerência entre fé e atitudes concretas no serviço gratuitamente bondoso em promover, fraternalmente, qualidade de vida digna a todos, dando prioridade a quem se encontra em condições indignas. Neste aspecto, o lava-pés é o ensinamento mais visível para entender a pastoral como serviço em favor da vida. E isto é resultado de quem vive a fidelidade ao projeto divino.
Serginho Valle
Fevereiro 2026

